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Não vais trabalhar hoje?




Não vais trabalhar hoje?

Sábado final de tarde, com disponibilidades de verba e tempo, procuro o que fazer. Saio sem rumo à procura de novidades e, se não encontrá-las, não haverá problema, que venham antigüidades.

Entro num bar com música ao vivo, início de festa e casa vazia, mesmo assim, faço minha aposta.

Sento-me em posição estratégica, na intenção de ter domínio absoluto do salão, com possibilidade, também, de visualizar algumas mesas, que em breve estarão ocupadas por belas mulheres, pelo menos, é essa minha expectativa.

O garçom cordialmente se apresenta; sem perder tempo peço-lhe um chope. O chope, desce redondo, peço mais um, antes mesmo de acabar o primeiro.

Sem que eu tivesse percebido, o bar já se encontra lotado, percebo ainda, que minha cotação está em alta.

Aproveitando-me do viés e vou ao salão, sem recusa, um novo par é formado. Dançamos com desenvoltura, causando até um certo impacto, e como se já houvéssemos nos conhecido há bastante tempo, dominamos o salão.

Do salão à mesa foi automático, peço mais dois chopes, e a conversa flui como se fôssemos velhos amigos, e assim, entre um chope e outros a noite se esvai.

Quando nos damos conta, o horário já nos obriga ao retorno ao lar, e assim é feito. Saímos do bar, e vamos conversando animadamente, de repente, não me perguntem como, já estávamos em um outro ambiente, com muitas luzes, pessoas estranhas e por uma dessas coincidências da vida, encontro um velho parceiro, que não vejo há muito tempo, inclusive, com um antigo débito com este que lhes relata; por mais incrível que possa parecer, o sujeito me cumprimenta e me diz: pô parceiro, estou lhe devendo uma grana, não é isso? Pois bem, vou lhe pagar! Seria bom demais, penso comigo, estou mesmo em alta. Mas não é que quando o sujeito vai me entregar o dinheiro, escuto ao longe aquela voz que me é bastante familiar: Tonico, Tonico não vais trabalhar hoje? É minha mulher. Alucinado, olho para ela e digo: deixa, pelo menos, o cara me pagar! Pô!

Ela, sem entender nada fica me olhando. Até que eu refeito do duplo desapontamento, contei-lhe em parte o meu sonho, pois seria difícil de eu explicar a tal mulher que aparecia no sonho, que sem brincadeira, eu nunca vi e nem sei quem é. Se bem que, se a encontrasse na vida real, não me lamentaria nem um pouco.

Em suma: A situação anda tão braba, mas tão braba, que nem em sonho eu consigo receber uma graninha!

Obs.: Por incrível que pareça, ainda não entrei no clima de copa do mundo.

BRASIIIIIIIIIIL!!!!




Tonico Nascimento




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